quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ari Neto, meio século de rádio



O ano de 1948 marcou muito para o casal Leandro Cordeiro Antony e Maria Edith Herculano. Afinal, o primogênito chegava ao mundo no dia 13 de março, na Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Sua mãe sempre foi dona de casa deu à luz mais cinco filhos, três meninas e três meninos. Uma faleceu aos seis meses. Seu pai, foi um jornalista, que chegou a ser chefe de gabinete do primeiro governo do saudoso Gilberto Mestrinho, no final da década de 1950. O primeiro filho do Sr. Leandro, recebeu o nome Aristophano Antony Neto, homenageando o avô paterno, destacado jornalista manauara e presidente do Atlético Rio Negro Clube por 18 anos. Sim, Aristophano Atony, deixou seu nome na história do clube. O ginásio de esportes da agremiação tem o seu nome.

Foi fundador da Associação de Imprensa do Amazonas e membro da Academia Amazonense de Letras. Faz questão também de ressaltar, que seu avô materno, João Herculano foi um cearense de Fortaleza que se tornou um seringalista no Amazonas de muita importância e garra.

Relatar a trajetória de Ari Neto, como ficou conhecido na crônica esportiva é uma missão agradável e cheia de detalhes . Aposentado como fiscal tributário da SEFAZ (Secretaria de Estadual de Fazenda do Amazonas), é pai de um casal de filhos e avô de cinco netos. Uma das características dele é a lembrança sempre viva da cidade, que ama incondicionalmente.

Se considera um saudosista assumido! Destaca seus tempos de criança na rua Rotary entre as avenidas Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas na cidade pacata e salutar que tinha menos de 200 mil habitantes. Busca na memória as brincadeiras de bola, peão, bola de gude, roda, papagaio (pipa) e diversas atividades.

Gostava dos balneários Guanabara, Parque Dez de Novembro, Ponte da Bolívia, Tarumã e de ir aos cinemas Avenida, Polyteama, Guarany, Odeon entre outros. Além de dançar nas "Manhãs de sol", comum em Manaus até os de 1970. Tornou-se admirador inconteste das canções gravadas por Chico Alves, Carlos Galhardo, Nélson Gonçalves, Alcides Girard, Elizeth Cardoso, Cauby Peixoto, Silvio Caldas, Dalva de Oliveira e tantos outros nomes clássicos da música brasileira da época de ouro da Rádio Nacional, ícone da comunicação desde o final dos anos de 1930 no Brasil.

E foi a radiofonia que entrou definitivamente para a vida de Ari Neto. Ainda muito jovem, em 1967, aos 19 anos de idade, entrou para o quadro de profissionais da hoje extinta Rádio Baré, emissora integrante dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, onde ficou até 1969, como repórter de campo, auxiliando o narrador da partida de futebol. Transferiu-se para a Rio Mar, permanecendo de 1969 a 1971. Enfim, veio a Rádio Difusora. Então, surgiu na sua caminhada, o chefe do departamento de esportes da emissora, João Bosco Ramos de Lima, técnico campeão no futebol pelo São Raimundo (1966), narrador e comentarista esportivo, que o indicou para narrar jogos do esporte mais popular do mundo. Aliás, João Bosco, havia sido eleito senador pelo Amazonas em 1978 e morreu em pleno mandato um ano depois, deixando o cargo para a Eunice Michiles assumir, sendo a primeira senadora da República em 1979.

Ari, é uma enciclopédia ambulante, como dizem alguns de seus amigos e ex-colegas de profissão. Em minutos enumera vários nomes de jogadores do passado que viu atuar e faz uma comparação com os dias de hoje. Na capital Amazonense a modalidade lotava os acanhados estádios. "Foi uma época maravilhosa de casa cheia e de craques inesquecíveis. O Parque Amazonense era um ícone para os atletas que jogavam com muita dedicação", diz com orgulho".

apesar da saudade dos áureos tempos, busca valorizar a nova geração, lamentando a falta de apoio e ausência de público nos estádios e a amarga participação dos times locais na quarta divisão nacional.  

 Ari Neto passou por todas as emissoras Am (Amplitude Modulada) de Manaus, e relembra com muita satisfação ter narrado a vitória do Fast contra o Fluminense em pleno Maracanã, em jogo válido pelo Campeonato brasileiro de 1977, embora o jogo tenha acontecido no começo de 1978, como mandava o calendário daquela competição.

A lista de emissoras que exerceu a sua brilhante atividade é extensa: Baré, rio Mar, Difusora, Ajuricaba (extinta), Sucesso (extinta), Globo/Baré Já (web) e Mix da Amazônia (web). São cinco décadas de radiodifusão com recordações que trazem uma imensa bagagem. Fala que não escuta mais rádios como fazia devido ao conteúdo conturbado e sem critérios de qualidade. Pontua que fez teste para ingressar na profissão.

Ao ser perguntado qual a dica ou conselho que deixa para os jovens futuros radialistas é objetivo: "Primeira coisa na vida do ser humano é a humildade, se não tiver eu nem chego perto. Saber perguntar e pedir dicas de como se comportar e esperar sua oportunidade sem atropelar ninguém. Ter desenvoltura e dedicação. Não é só no rádio, mas em todas as profissões. A humildade é essencial em todas as atividades humanas".

O entrevistado agradeceu com muita gentileza o encontro e desejou boa sorte aos alunos em geral, pois para ele a comunicação é uma dádiva e deve ser sempre valorizada e aperfeiçoada para mantermos relações favoráveis dentro da convivência social. Ari, segue aos 69 anos no caminho seus 70 anos de existência, com saúde e lucidez, agradecendo à Deus por tudo que conseguiu até hoje.

Em meio século de rádio dedica aos familiares, colegas e amigos, sua paixão e amor ao rádio. Acredita que possa ser feito um trabalho de descoberta de valores que ainda estão desconhecidos, mas que podem se destacar na mídia desenvolvendo suas capacidades. Isso depende demais do envolvimento de pessoas sérias e dedicadas na área. Sonha em dar oportunidades aos jovens, apoiando nos estudos reunindo equipes de rádio para a formação e aperfeiçoamento de novos profissionais. Torce muito para que as futuras gerações sejam valorosas e vibrantes na manutenção desse veículo símbolo da transmissão imediata. 

Reportagem: Aldemir Bispo e Lucyo Ramos  

Foto: Aldemir Bispo
                        

sábado, 1 de abril de 2017

De Volta?

Após uma parada brusca, que durou mais de quatro anos o autor volta na tentativa de postar no blog criado em janeiro de 2009. O objetivo sempre foi divulgar Manaus por um foco pessoal, sem interferências. Meu olhar para as nuances urbanas, observam lamentáveis abandonos do poder público com intensas articulações "politiqueiras". Não há prognósticos favoráveis à comunidade em geral, perante tantos "jogadores" ávidos por supremacia social incontrolável. Quero voltar com postagens sobre temas atuais diversificados. Até breve.       

Foto: Aldemir Bispo de Lima

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Centro de Manaus agoniza


O Centro Histórico de Manaus passa por uma de suas piores fases. Quem conhece o mínimo da sua existência e conviveu nele em várias épocas, sabe que a situação é lamentável. No chamado entorno da Catedral Nossa senhora da Conceição, o cenário é desolador. A foto ao lado é de 2011, mas a mudança apenas com relação a atualidade, se refere a retirada dos camelôs e colocação de tapumes. Nada evoluiu para a revitalização do espaço que tinha previsão e nada de conclusão ainda em 2014. 

Segundo informações não oficiais, o programa ligado ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que viabilizaria verbas para as cidades históricas, sofreu abalo e por conta da politicagem mantém estagnado o projeto destinado para a recuperação de áreas urbanas degradadas na capital amazonense. 
Na foto da esquerda a área histórica do Porto de Manaus, mostra as ruínas de ícones dos áureos tempos da exploração comercial do látex. O registro também é de 2011. Aliás, fotografar neste e em outros locais de Manaus é uma verdadeira aventura pela falta de segurança total. Os índices de violência são alarmantes e só pioram. Lamentável sob todos os aspectos. 

Fotos: Aldemir Bispo de Lima