sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sobrevivente de naufrágio


Passando pela rua Marcílio Dias, logo no começo, próximo a praça Heliodoro Balbi, reencontrei Nílson Jordão Rodrigues. Ele é um carioca nascido na rua General Roca, na Tijuca, (17.10.57.) segundo o próprio, na subida do morro do "Turano".

Nílson veio para Manaus com o grupo de pagode "Cancela" em 1986 e ficou por aqui levando sua vida no meio das festas concorridas no auge dos clubes, que dominavam o cenário festivo daquela década.


Atual vendedor de churrasquinhos, Nílson foi um dos sobreviventes do naufrágio ocorrido em 10 de Fevereiro de 1999, no rio Madeira. Por volta das 22 horas daquele fatídico dia, a embarcação "Ana Maria VIII", bateu em algo no rio e naufragou. O barco havia saído de Porto Velho, a capital do estado de Rondônia.


A luta dele nas águas, não foi em vão. Sobrevivente da escuridão e dos perigos do rio, hoje carrega lembranças de uma experiência sofrível para qualquer ser humano. Lembra que ouviu gritos de desespero, enquanto nadava sentindo muito frio e com receio constante de uma fera o atacar.


Do sofrimento compartilhado com muitos sobreviventes, ele revela que algo poderia ser feito para evitar essas tragédias, onde dezenas de pessoas morrem pela falta de respeito em não cumprir com as as normas de segurança da Capitania dos Portos.

Segundo Nilson, o barco estava superlotado de passageiros, diversas cargas, motos e carros. Jordão ainda espera uma indenização dos responsáveis pelo acontecido.

Em fevereiro próximo, a marca de dez anos desse episódio lamentável, será relembrada com certa revolta por dezenas de famílias que perderam membros de forma trágica.
Os acidentes ocorrem na Amazônia, mas diversas embarcações continuam navegando nos rios dessa rica e vasta região, ferindo normas de segurança em nome da ganância. O que este carioca passou, junto dos demais passageiros daquela agonia, continua sendo ignorado por muitos exploradores do transporte fluvial. Até quando?

Fotos: Aldemir Bispo

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